Calango Careta invade Brasília com arte, música e folia de vizinhança

Um calango gigante verde, amarelo e vermelho, símbolo do bloco de Carnaval Calango Careta desde 2015, serpenteou pela Asa Norte de Brasília na manhã desta terça-feira (17). Em um formato de “carnaval de vizinhança”, o bloco se diferencia dos grandes desfiles ao ocupar áreas residenciais, promovendo a coletividade e a animação ao lado de prédios.

A alegoria do calango, inspirada nos dragões de blocos de Olinda (PE), é erguida e articulada com bambus. A iniciativa busca, além da folia, comunicar a preservação do Cerrado. Ao lado do calango, um grande boneco de saruê, representando um gambá, também chamou a atenção, especialmente das crianças.

Gabriel Ballarini, educador social e bonequeiro voluntário, expressou orgulho em dar vida à alegoria do saruê. “Basicamente, tenho que acenar para a galera e pular. Pesa um pouco, tem uns quatro quilos. Mas, estou me sentindo muito orgulhoso hoje”, disse.

A estética do Calango Careta é uma vibrante mescla de cultura popular e psicodelia. Artistas com grandes asas, pernas de pau, palhaços e acrobatas mascarados compõem o cortejo, guiando o público com sua performance. Vanessa Cândida Rezende, apoiadora do bloco, trouxe um regador de glitter para espalhar alegria entre os foliões.

Neste ano, o bloco também celebrou a cultura cinematográfica brasileira, com foliões inspirados no filme “O Agente Secreto”. A jornalista Ana Chalub fantasiou-se de Dona Sebastiana, personagem marcante do filme, enquanto o músico Luiz Bragança apostou na irreverente fantasia de orelhão, um ícone das paisagens urbanas do passado.

Sonoridade que contagia

A Orquestra Camaleônica, fanfarra própria do Calango Careta, dita o ritmo com trompetes, trombones, saxofones e percussão marcante. O repertório inclui ciranda, frevo, maracatu e sucessos da MPB, como “Lucro” do BaianaSystem e “Frevo Mulher” de Zé Ramalho, que ecoam entre os foliões.

A interação entre músicos e público é um dos pontos altos, sem a presença de cordas ou abadás. Estudantes como Mariana Junqueira Marini, fantasiada de personagem de “Backyardigans”, celebram a liberdade e a diversão do carnaval de rua.

Folia para todas as idades

O Calango Careta se destaca por reunir pessoas de todas as idades, de crianças a idosos. Gabriela Barcellos, fisioterapeuta grávida de 8 meses, planeja criar o filho curtindo o carnaval, aproveitando a atmosfera familiar.

Mara Carvalho, aposentada de 75 anos, é uma frequentadora assídua do bloco há anos e faz questão de levar a família para perpetuar a tradição carnavalesca. “Desde pequenininha, eu gosto muito de carnaval. Minha mãe, minha irmã, meu irmão, todo mundo brincava”, conta.

A tradição do Calango Careta, que começou em 2015, se consolidou em Brasília a ponto de inspirar fábulas escolares sobre cultura popular e pertencimento. Na próxima sexta-feira (20), será exibido o documentário “Calango Careta: 10 Anos de Eterno Carnaval”, que narra a trajetória do bloco que se tornou um ícone da cidade.

Com informações da Agência Brasil