
Um estudo publicado na renomada revista científica The Lancet estima que quase metade das mortes por câncer no Brasil poderiam ser evitadas. A pesquisa aponta que 43,2% dos óbitos pela doença no país, o que equivale a cerca de 109,4 mil mortes anuais, são passíveis de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Prevenção e diagnóstico: chaves para reduzir óbitos
O levantamento, intitulado “Mortes evitáveis por meio da prevenção primária, detecção precoce e tratamento curativo do câncer no mundo”, analisou 35 tipos de câncer em 185 países. Segundo os pesquisadores, as quase 110 mil mortes evitáveis no Brasil se dividem em dois grupos: 65,2 mil casos poderiam ser prevenidos antes mesmo de se desenvolverem, e outros 44,2 mil poderiam ser evitados com detecção precoce e acesso a tratamento.
Disparidades globais e no Brasil
Em um olhar global, o estudo indica que 47,6% das mortes por câncer no mundo (cerca de 4,5 milhões de 9,4 milhões) são evitáveis. Há uma clara disparidade entre países: enquanto nações do norte da Europa apresentam cerca de 30% de mortes evitáveis, países africanos como Serra Leoa e Gâmbia chegam a ter mais de 70% de seus óbitos por câncer evitáveis. A América do Sul, com 43,8%, apresenta um índice similar ao do Brasil.
IDH e o impacto nas mortes evitáveis
A pesquisa também correlaciona o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) com a evitabilidade das mortes por câncer. Países com baixo IDH apresentam 60,8% de mortes evitáveis, enquanto aqueles com IDH muito alto registram 40,5%. O câncer de colo de útero, por exemplo, é o principal causador de mortes evitáveis em países de baixo e médio IDH, mas sequer figura entre os cinco primeiros em países de IDH alto e muito alto.
Principais tipos de câncer evitáveis
Os cânceres de pulmão, fígado, estômago, colorretal e colo de útero são responsáveis por 59,1% das mortes evitáveis. O câncer de pulmão lidera as mortes preveníveis, enquanto o câncer de mama se destaca nas mortes tratáveis, com potencial de cura através de diagnóstico e tratamento oportunos.
Caminhos para a redução de mortes
Os autores do estudo sugerem medidas como campanhas de conscientização e aumento de impostos sobre tabaco e álcool para reduzir o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas. O controle do excesso de peso e a prevenção de infecções associadas ao câncer, como o HPV, também são apontados como cruciais. No Brasil, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) já realizam ações de prevenção e diagnóstico precoce.
Com informações da Agência Brasil







