Operação Erga Omnes: Polícia do Amazonas desarticula grupo que movimentou R$ 70 milhões com tráfico e corrupção

Operação Erga Omnes desarticula organização criminosa interestadual

A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), através do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), deflagrou a Operação Erga Omnes, desarticulando uma organização criminosa estruturada em crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, e violação de sigilo funcional. A ação, que contou com apoio de forças de segurança de outros seis estados, investiga ramificações interestaduais.

Combate à lavagem de dinheiro e tráfico com envolvimento de servidores públicos

O delegado Alessandro Albino, diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), destacou o foco da operação no combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de drogas, com envolvimento de servidores públicos em sete estados. “Realizamos uma ação exitosa, com prisões em quase todos os estados, inclusive aqui no Amazonas”, afirmou.

Investigações revelam ramificações na administração pública

As investigações, iniciadas em agosto do ano passado, apontaram que o tráfico de drogas possuía conexões dentro da administração pública. Servidores públicos atuavam como parceiros do crime, oferecendo suporte logístico, facilitando acesso à administração ou fornecendo informações sigilosas, conforme apurado por meio de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Prisões, apreensões e bloqueio de contas

Até o momento, foram cumpridos 13 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão em sete estados. Foram apreendidos veículos, realizadas medidas de bloqueio de contas bancárias e decretado o sequestro de valores. Empresas fantasmas, usadas para operacionalizar o tráfico, também foram alvo.

Empresas fantasmas e movimentação financeira milionária

Empresas com fachada no ramo de logística eram utilizadas para simular atividades lícitas e movimentar valores. A investigação identificou uma movimentação financeira de mais de R$ 70 milhões em quatro anos. “Elas não compravam insumos, não negociavam com outras empresas do ramo. Suas únicas transações financeiras eram com traficantes e servidores públicos”, explicou o delegado Marcelo Martins.

Participação de agentes públicos em diversos poderes

Agentes públicos de diferentes órgãos municipais, legislativos, executivos e até do Poder Judiciário foram identificados como participantes. O nome da operação, Erga Omnes, reflete o alcance da ação em todas as esferas. “Nosso trabalho foi pautado exclusivamente nas provas constantes nos autos”, ressaltou Martins.

Uso de igrejas e ex-assessores como fachada e facilitadores

O líder da organização se apresentava como evangélico e utilizava igrejas como forma de camuflagem social. Ex-assessores e servidores em setores estratégicos também atuavam para facilitar o trânsito da organização em diferentes instituições. O líder se vangloriava de ter pessoas em todos os órgãos e de pagar pela proteção.

Com informações da Agência Amazonas