Empresária passa mal e depoimento na CPMI do INSS é encerrado

Depoimento interrompido por mal-estar

O depoimento da empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS foi abruptamente encerrado nesta segunda-feira (25) após a depoente passar mal. O mal-estar ocorreu durante o interrogatório conduzido pelo relator da CPMI, Alfredo Gaspar (União-AL).

Diante da situação, o presidente do colegiado, Carlos Viana (Podemos-MG), suspendeu os trabalhos para que Ingrid Santos recebesse atendimento médico. A empresária deixou as dependências do Senado antes da conclusão de sua oitiva.

Ligação com a Conafer e esquema de desvios

Ingrid Santos foi convocada para depor após a ausência de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que informou não compareceria à comissão. Ela é esposa e sócia de Cícero Marcelino de Souza Santos, ambos com ligações à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).

A Conafer é apontada como beneficiária de mais de R$ 100 milhões provenientes de descontos ilegais em benefícios previdenciários. Cícero Santos é investigado como operador e assessor do presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes.

Segundo a CPMI, parte dos recursos desviados teria sido movimentada em contas de empresas das quais Ingrid Santos figurava como sócia. O relator Alfredo Gaspar destacou que a empresária recebeu, além do repassado em contas de empresas, mais de R$ 13 milhões, supostamente oriundos de aposentados e pensionistas.

Habeas Corpus e defesa da empresária

Antes de comparecer à CPMI, a empresária obteve um habeas corpus concedido pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a autorizava a permanecer em silêncio durante o depoimento. Ingrid Santos foi questionada sobre as atividades de seu marido e seu conhecimento sobre o envolvimento das empresas no esquema de descontos indevidos do INSS.

Ela afirmou ao relator não ter conhecimento sobre as operações e que a gestão das empresas era de responsabilidade de seu marido, Cícero Santos. “Em relação a empresas, transferências, eu não vou conseguir responder nada para vocês, porque quem geria tudo isso, como ele falou aqui para todos vocês, era o meu esposo, Cícero.”, declarou, antes de passar mal.

Ausência de Daniel Vorcaro e prorrogação da CPMI

O presidente da CPMI, Carlos Viana, informou que irá recorrer da decisão do ministro André Mendonça, do STF, que desobrigou Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, de depor à comissão. Vorcaro, que está em prisão domiciliar, foi convocado para esclarecer irregularidades em empréstimos consignados que causaram prejuízos a beneficiários do INSS.

Viana também solicitou a prorrogação dos trabalhos da CPMI por pelo menos 60 dias e, em caso de falta de resposta, cogita recorrer ao STF para garantir a continuidade das investigações, iniciadas em agosto passado.

Com informações da Agência Brasil