
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga crimes cibernéticos questionou nesta terça-feira (26) a Meta, empresa dona do Facebook e Instagram, sobre os lucros obtidos com atividades ilícitas em suas plataformas e a capacidade da companhia em combater a exploração sexual de crianças e adolescentes.
Meta é questionada sobre anúncios de golpes
A diretora de política econômica para América Latina da Meta, Yara Alves, foi questionada pelo senador Alessandro Vieira sobre notícias de que documentos internos da empresa orientariam gestores a evitar a regulação estatal contra anúncios de golpes na internet. Yara negou o conhecimento sobre tais documentos.
“Trabalho com esse tema dentro da empresa há mais de dois anos e meio, nunca vi nenhum documento, e não me lembro de ter visto nenhum documento que trouxesse esse tipo de interesse ou de abordagem”, afirmou a diretora.
Exploração sexual de crianças e adolescentes em pauta
O relator da CPI, Alessandro Vieira, também indagou sobre a capacidade da Meta em detectar e impedir a divulgação de imagens de abuso sexual de crianças e adolescentes. Ele citou um relatório de 2020 da ONG Human Trafficking Institute, que apontou o Facebook como a plataforma mais utilizada por traficantes sexuais para aliciar e recrutar crianças, com 65% dos casos ocorrendo na rede social.
Yara Alves admitiu não saber responder com precisão se as ferramentas da Meta são suficientes para impedir a transferência de fotos de pornografia infantil.
“Não sei explicar para o senhor se as nossas ferramentas de detecção proativa, a partir de metadados, etc., são suficientes para impedir a transferência de fotos, como o senhor falou especificamente, mas quero colocar aqui o time da Meta à disposição desta Comissão”, declarou.
A diretora ressaltou, contudo, que o combate à exploração sexual de crianças e adolescentes é uma prioridade da multinacional, que tem implementado medidas de controle parental para contas de adolescentes.
Falta de respostas leva a nova convocação
A representante da Meta também não conseguiu responder a questionamentos sobre limites da criptografia e o uso de algoritmos para favorecer conteúdos políticos. Diante da falta de respostas, o relator da CPI solicitou a convocação do diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister.
“A empresa informou, ao pedir a substituição do diretor-geral por vossa excelência, que a senhora teria condições de atender perfeitamente [a CPI]. Novamente, em benefício desse princípio de boa-fé, que é tão bom nas relações, vamos entender que foi um erro de avaliação e vamos reiterar a convocação do diretor-geral”, disse o relator.
Com informações da Agência Brasil







