
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) está propondo a criação de uma categoria de piloto específica para os chamados “carros voadores”, também conhecidos como eVTOLs (veículos elétricos de decolagem e pouso vertical). A iniciativa busca uma adaptação gradual e segura do sistema brasileiro de licenciamento para as novas tecnologias de mobilidade aérea avançada.
Formação e transição para pilotos
A ideia da Anac é estabelecer um modelo de formação com treinamento especializado. Inicialmente, um período de transição será destinado a pilotos já licenciados de avião e helicóptero. O objetivo é que estes profissionais acumulem experiência operacional e dados regulatórios, permitindo a criação de requisitos completos de formação para pilotos de carros voadores, sem a obrigatoriedade de experiência prévia em outras categorias.
A proposta detalha que a habilitação será específica, complementada por experiência supervisionada em operações típicas e finalizada com um exame prático de verificação de perícia. A consulta pública sobre a proposta está aberta até 16 de março e pode ser acessada pelo Portal Brasil Participativo.
Perspectivas da Associação de Pilotos
A Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil (Abrapac) vê a chegada dos carros voadores como uma oportunidade de abertura de um novo mercado para seus associados. Carlos Perin, diretor da Abrapac, afirmou que haverá adaptações teóricas e práticas conforme a regulamentação da Anac.
No entanto, Perin também vislumbra um futuro onde os carros voadores possam operar sem tripulação. Ele acredita que a barreira cultural para aceitar transporte em aeronaves não tripuladas será gradualmente superada com a presença de pilotos nas versões iniciais dos eVTOLs. Após a aceitação do mercado, o posto de piloto poderia ser desativado em favor de aeronaves remotamente controladas.
Desenvolvimento e fabricação no Brasil
Os eVTOLs, ainda em fase de protótipos e testes finais, são considerados um caminho promissor para o futuro da aviação. Por serem totalmente elétricos e não utilizarem combustíveis fósseis, são vistos como tecnologias verdes que contribuem para a transição energética e a economia de baixo carbono.
Em 2024, a Anac publicou critérios finais de aeronavegabilidade para eVTOLs, estabelecendo padrões de segurança para estrutura, sistemas de controle, propulsão e baterias. A empresa brasileira Embraer, através de sua subsidiária Eve Air Mobility (Eve), é uma das pioneiras internacionais no desenvolvimento dessas aeronaves. A fábrica da Eve em Gavião Peixoto (SP) trabalha na viabilização comercial dos carros voadores, tendo realizado o primeiro voo de um protótipo no final de 2023.
Recentemente, a Eve anunciou um contrato para a venda de dois veículos para a japonesa AirX, com entrega prevista para 2029. O contrato inclui a opção de compra de até 50 unidades adicionais. O projeto da Eve conta com apoio público, incluindo financiamento do BNDES e da Finep.
Com informações da Agência Brasil







