Bloco no Rio homenageia Maria da Penha e alerta para recorde de feminicídios

Uma fantasia com referências a tentativas de assassinato e eletrochoques marcou a participação de Luciana Peres no Bloco Mulheres Rodadas, que desfilou na zona sul do Rio de Janeiro. A performance homenageou Maria da Penha Fernandes, vítima emblemática da violência doméstica no Brasil, que deu nome à lei federal que tipifica o crime em 2006.

“Eu não consegui pensar em outro assunto que não fosse a luta pela vida das mulheres”, declarou Peres, refletindo sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha, que se completam em 2026, em contraste com o recorde de feminicídios registrado no ano passado, com 1.518 vítimas, segundo o Ministério da Justiça e da Segurança Pública.

Arte como forma de protesto

Desde 2015, o Bloco Mulheres Rodadas utiliza fantasias, placas e performances para abordar temas como assédio, violência doméstica e feminicídio. A música “Geni e o Zepelim”, de Chico Buarque, por exemplo, é usada para simular a violência transfóbica, que também coloca o Brasil no topo do ranking de assassinatos de pessoas trans.

As performances buscam também exaltar a solidariedade entre as mulheres, com momentos em que uma ajuda a outra a se levantar, simbolizando a união. A lista de músicas executadas pelas ritmistas é cuidadosamente selecionada, priorizando intérpretes e compositoras mulheres, ou canções que celebram a condição feminina. Entre elas, estão marchinhas clássicas como “Abre Alas” (Chiquinha Gonzaga), “Vai, Malandra” (Anitta), “Ama Sofre e Chora” (Pabllo Vittar), “Vermelho” (Fafá de Belém), além de sucessos internacionais como “Toxic” (Britney Spears) e “Girls Just Want Have Fun” (Cyndi Lauper).

Diálogo internacional e cobrança por políticas públicas

O bloco atraiu turistas e artistas estrangeiros. A francesa Lucie Cayrol homenageou a advogada Gisèle Halimi, figura chave na despenalização do aborto na França em 1975. Cayrol também relembrou o caso de Gisèle Pelicot, que denunciou ter sido dopada pelo ex-marido, que convidou mais de 50 homens para estuprá-la ao longo de dez anos. O agressor foi condenado em 2024.

Renata Rodrigues, coordenadora do bloco e jornalista, ressalta a importância de manter o tema em pauta, mesmo após uma década de existência do coletivo. “Nós somos um dos poucos coletivos, no Rio, que discute a violência contra a mulher no carnaval”, afirmou. Ela cobra apoio do poder público e da iniciativa privada para ampliar a mensagem.

O folião Raul Santiago destacou a necessidade do engajamento masculino no combate à violência. “Os homens precisam estar junto, precisam mudar a atitude e a forma de pensar, ser antimachista, entender os lugares sociais e defender a igualdade”, disse.

Com informações da Agência Brasil