
O Galinho de Brasília, bloco carnavalesco que há 34 anos mantém viva a chama do frevo pernambucano na capital federal, inova em 2026 ao incorporar a paixão nacional pelo futebol em seu tema: “Galinho na Copa: Frevando rumo ao Hexa”. A iniciativa busca resgatar o antigo encanto brasileiro pela modalidade esportiva, combinando-o com a rica tradição musical de Pernambuco.
O bloco, que já atraiu mais de 100 mil pessoas em edições passadas, desfilou pelas ruas de Brasília embalado pelas Orquestras Marafreboi, sob a regência de Fabiano Medeiros, e a Orquestra do Galinho, liderada por Ronald Albuquerque. A sonoridade vibrante do frevo, descrita por Damísia Lima, servidora pública pernambucana, como um ritmo complexo que exige músicos de alta qualidade, ecoou pela cidade.
Sotaque, refúgio e tradição nordestina
Para muitos pernambucanos radicados em Brasília, como Damísia, o Galinho representa um elo com suas raízes culturais. “Nós pernambucanos temos muito orgulho de nossa cultura e de nossa música. Meu maior medo era perder meu sotaque. Graças a Deus o mantenho até hoje”, afirma, destacando o bloco como um refúgio afetivo.
Sérgio Brasiel, diretor administrativo do Galinho, explica que a proposta do bloco é resgatar a essência do carnaval de Pernambuco em meio à diversidade de estilos musicais atuais. “Nossa proposta aqui é a de resgatar a essência do carnaval de Pernambuco. E, como 2026 é ano de Copa do Mundo, aproveitamos para trazer de volta a paixão antiga que o brasileiro tem pelo futebol”, disse.
Brasiel também comentou os desafios da organização, muitas vezes prejudicada pela burocracia, que força a preparação em prazos apertados. Apesar disso, a alegria dos foliões recompensa todo o esforço.
Experiências carnavalescas e tranquilidade em Brasília
A professora Célia Varejão, com sua camiseta do Galinho de 1995, expressa seu amor pelas manifestações populares, tanto no carnaval quanto no futebol. Ela critica os altos preços cobrados em eventos esportivos, como na recente final da Supercopa em Brasília.
A tranquilidade e a segurança do carnaval brasiliense são pontos altos elogiados por diversos foliões. Damísia compara a experiência com o Galo da Madrugada, em Pernambuco, e prefere a atmosfera mais controlada de Brasília, que permite curtir a festa com mais conforto.
Benedito Cruz Gomes, servidor público, frequenta o Galinho há 30 anos e o considera um espaço familiar para brincadeiras. A segurança do bloco também é destacada pelo engenheiro Alex França, que observa a evolução da estrutura e do policiamento ao longo dos anos, o que atrai mais público.
34 anos de história e preservação cultural
Fundado em 1992 por pernambucanos no Distrito Federal, o Galinho de Brasília nasceu como uma alternativa para aqueles que não podiam viajar para o Recife. A iniciativa surgiu em um contexto econômico difícil, após o confisco das poupanças, que impediu muitos nordestinos de participar do carnaval em sua terra natal.
A experiência foi tão marcante que os foliões fundaram o Grêmio Recreativo da Expressão Nordestina – GREN Galinho de Brasília, com o objetivo de preservar e difundir as tradições culturais nordestinas na capital federal.
Com informações da Agência Brasil







