
Diante das dificuldades em ingressar no mercado musical, um grupo de jovens idealizou e fundou o selo independente AlterEgo no Rio de Janeiro. A iniciativa surgiu a partir da experiência da banda Quedalivre, cujos integrantes enfrentaram a falta de resposta de gravadoras tradicionais.
Victor Basto, guitarrista e vocalista da Quedalivre, explica que a ideia de criar um selo próprio nasceu da percepção das carências enfrentadas por outras bandas com trajetórias semelhantes. “A gente juntou o nosso conhecimento técnico com a questão de produção executiva para bandas mesmo. Juntando também com técnicos de outras áreas, surgiu o coletivo”, afirma Basto.
O que é um selo musical?
Um selo musical ou fonográfico atua como uma marca que gerencia, produz, promove e distribui o trabalho de artistas. A experiência frustrante da banda Quedalivre, que teve seu material ignorado por diversos selos, tornou-se o catalisador para a criação do AlterEgo.
Nascimento do AlterEgo
O selo AlterEgo, que opera efetivamente desde outubro de 2025, foi oficialmente lançado em um festival homônimo realizado no Rio de Janeiro. O evento também serviu como pré-lançamento do álbum “Seres Urbanos”, da própria banda Quedalivre.
Atualmente, o selo conta com uma equipe técnica de 22 jovens, com idades entre 21 e 25 anos, cobrindo diversas áreas como direção executiva, produção fonográfica e eventos. O AlterEgo já reúne mais de 25 bandas de diferentes estados brasileiros.
O cenário independente
O AlterEgo se insere em um contexto de crescimento dos selos independentes. Uma pesquisa internacional de 2024 indicou que as entidades independentes (indies) representaram 46,7% do mercado mundial de música em 2023, movimentando US$ 14,3 bilhões.
No entanto, a produção independente enfrenta desafios significativos, como problemas com plataformas de streaming, a dificuldade em divulgar um número crescente de artistas e a concentração de receitas nas mãos dos grandes players do setor. A pesquisa também aponta que, embora o streaming seja a principal fonte de receita para os selos independentes, a maioria (87%) acredita que está cada vez mais difícil destacar artistas e (78%) manter o interesse do público.
Um ecossistema autogerido
O AlterEgo se define como um ecossistema cultural autogerido, um coletivo onde a maioria dos membros tem entre 21 e 25 anos e atua em áreas da economia criativa, como design, fotografia, audiovisual e som. O lema é “faça você mesmo”, incentivando a autogestão e a produção independente.
“Está todo mundo envolvido. Não é sobre as próprias bandas. Tem toda uma estrutura, pessoas que já trabalhavam juntas, que já participavam mas que, agora, estão engajadas realmente em fazer o cenário crescer, para poder todo mundo viver do que a gente ama mesmo. Não é uma coisa individual de forma nenhuma”, ressalta Basto.
A iniciativa busca provar que é possível produzir música de qualidade e construir uma carreira no ramo sem a necessidade de grandes investimentos iniciais, inspirando outras bandas e artistas emergentes a seguirem o mesmo caminho.
Com informações da Agência Brasil






