
Uma pesquisa recente aponta que a grande maioria dos brasileiros, cerca de 73%, apoia o fim da escala de trabalho 6×1, que prevê seis dias de trabalho e um de descanso. O desejo por mais folgas semanais é um anseio generalizado, com 84% dos entrevistados acreditando que o trabalhador deveria ter duas folgas obrigatórias por semana.
Apoio condicionado ao salário
No entanto, a aprovação ao fim da escala 6×1 se dilui quando a questão salarial entra em jogo. Entre os 22% que inicialmente se mostraram contrários à mudança, uma parcela significativa (10%) indicou que estaria disposta a aceitar se não houvesse impacto financeiro. Quando a possibilidade de redução salarial é apresentada, o apoio ao fim da jornada cai drasticamente para 28%, com 40% se mostrando favoráveis apenas se a remuneração for mantida.
Debate no Congresso e impacto político
Marcelo Tokarski, em análise sobre a pesquisa, destaca que o cerne da discussão no Congresso Nacional girará em torno da jornada de trabalho com ou sem diminuição da remuneração. Ele ressalta que a pesquisa evidencia a forte demanda por mais dias de descanso, mas também a preocupação com a segurança financeira.
O apoio ao fim da escala 6×1 também demonstra um viés político. Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o índice de aprovação chega a 71%. Já entre os que votaram em Jair Bolsonaro, 53% são favoráveis à medida.
O caminho da PEC 148/2015
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 148/2015, que trata do fim da escala 6×1, já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e aguarda votações em plenário. Se aprovada, a transição para a nova jornada será gradual, com a redução da jornada semanal prevista para ocorrer em etapas, podendo chegar a 36 horas semanais a partir de 2031. Um ponto crucial a ser definido pelo Congresso é se a remuneração dos trabalhadores poderá ser reduzida para compensar o tempo adicional de descanso.
A pesquisa também indicou otimismo quanto à aprovação da PEC, com 52% dos entrevistados acreditando que a proposta será aprovada pelo Congresso Nacional.
Com informações da Agência Brasil







