
O Acadêmicos do Salgueiro encerrará os desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro em 2026 com uma homenagem à icônica carnavalesca Rosa Magalhães, que faleceu em julho de 2024. O carnavalesco da escola, Jorge Silveira, revelou que o enredo buscará celebrar a brasilidade e o universo imaginativo deixado pela mestra, sem seguir uma linha biográfica, mas sim apostando na memória afetiva que ela construiu na avenida.
Um legado de inovação e brasilidade
Jorge Silveira destacou a importância de Rosa Magalhães como uma professora que ensinou a amar o Brasil e sua identidade através de seus carnavais. Com 50 anos de carreira e passagens por 12 agremiações, ela foi a única artista a vencer em cinco décadas distintas, sempre se mostrando inovadora e relevante.
“A Rosa é professora e nos ensinou a amar o Brasil e a brasilidade por meio dos seus carnavais. A cada ano, ela descortinou o mundo da identidade brasileira na passarela com seus trabalhos. É um carnaval de agradecimento ao universo imaginativo com que a Rosa nos presenteou”, afirmou Silveira em entrevista à Agência Brasil.
O Salgueiro como ponto de partida
A escolha de homenagear Rosa Magalhães ganhou força pelo fato de ela ter iniciado sua carreira artística no Salgueiro, sendo considerada parte da “revolução salgueirense dos anos 60”. Este movimento estético, liderado por Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues, transformou o carnaval carioca.
A posição de fechar os desfiles de 2026, algo inédito para o Salgueiro em 40 anos de Sambódromo, foi vista como uma oportunidade ímpar para coroar a homenagem. “Quando aconteceu essa configuração de elementos, a gente bateu o martelo e decidiu homenagear a professor Rosa Magalhães”, disse o carnavalesco.
A biblioteca de Rosa Magalhães como inspiração
A obra literária sempre foi o ponto de partida para os enredos de Rosa Magalhães. O carnaval do Salgueiro se inspirará em sua vasta “biblioteca”, onde seus personagens aguardam para serem celebrados. A escola teve acesso ao acervo deixado pela carnavalesca na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que conta com mais de 4 mil imagens catalogadas de seus 50 anos de carreira.
Curiosamente, os materiais dos carnavais de 1990 e 1991, assinados por Rosa no Salgueiro, não estavam nos arquivos da Uerj. A solução veio de forma emocionante: durante uma festa em memória da artista, as pastas com os desenhos faltantes foram entregues como presente.
Um aprendizado marcado pela simplicidade e genialidade
Jorge Silveira, que teve a oportunidade de trabalhar com Rosa Magalhães como seu assistente, descreveu-a como uma pessoa de extrema simplicidade e humildade, apesar de sua grandeza e impacto cultural. Ele ressaltou sua capacidade de ensinar e orientar, superando um ambiente machista.
“Tudo isso que a gente está falando nasce de uma mulher em um ambiente altamente machista, onde tem uma predominância absoluta de carnavalescos homens. Ela botou todos eles debaixo do braço e ganhou de todo mundo”, concluiu.
Comissão de frente: reverência e surpresa
Os ensaios para a comissão de frente do Salgueiro para 2026, sob o comando do coreógrafo Paulo Pinna, estão intensos. Pinna destacou a responsabilidade de representar o universo de Rosa Magalhães, que valorizava muito este quesito.
A homenagem buscará capturar a irreverência e a leveza características da artista, utilizando poucos elementos para contar narrativas ricas. Com 19 componentes, a comissão promete surpresas, mantendo o DNA de Rosa Magalhães.
Com informações da Agência Brasil







