Alerta de desmatamento cai 35% na Amazônia e 6% no Cerrado em 2025-2026

As áreas sob alerta de desmatamento registraram uma queda expressiva na Amazônia Legal e no Cerrado entre agosto de 2025 e janeiro de 2026. Segundo dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a redução foi de 35% na Amazônia e de 6% no Cerrado.

Na Amazônia, os alertas somaram 1.324 km², uma diminuição considerável em relação aos 2.050 km² do período anterior. Já no Cerrado, os alertas totalizaram 1.905 km², frente a 2.025 km² registrados anteriormente.

Os números foram divulgados após a 6ª reunião ordinária da Comissão Interministerial Permanente de Prevenção e Combate ao Desmatamento. O colegiado, reativado em 2023, reúne 19 ministérios e é presidido pela Casa Civil.

Os indicadores de degradação florestal na Amazônia também apontam um recuo significativo, diminuindo de 44.555 km² para 2.923 km², uma redução de 93%.

Monitoramento e comparação com dados anuais

O Deter funciona como um sistema de alertas diários para apoiar a fiscalização ambiental. Ele se diferencia do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), que mede a taxa anual consolidada de desmatamento.

De acordo com o Prodes, na comparação entre 2022 e 2025, o desmatamento acumulou uma queda de 50% na Amazônia e de 32,3% no Cerrado.

Expectativa de recorde e políticas públicas

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, expressou otimismo: “Há uma expectativa de chegarmos em 2026 à menor taxa de desmatamento da série histórica na Amazônia se continuarmos com esses esforços”.

Silva destacou que os resultados são reflexo de políticas públicas baseadas em dados científicos e que o desempenho ambiental não comprometeu o crescimento econômico. “O desmatamento caiu e o agronegócio continua crescendo”, afirmou.

Pantanal em contramão

A situação é diferente no Pantanal, bioma que registrou um aumento de 45,5% nos alertas de desmatamento entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, passando de 202 km² para 294 km². Apesar dessa alta recente, na comparação entre 2023 e 2024, houve uma queda de 65,2%.

Fortalecimento da fiscalização

O Ministério do Meio Ambiente aponta o fortalecimento das ações de controle como um dos principais fatores para a redução dos alertas. A pasta informou que, em comparação com 2022, as ações de fiscalização do Ibama cresceram 59%, e as do ICMBio aumentaram 24%.

Houve também um aumento nas áreas embargadas (51% pelo Ibama e 44% pelo ICMBio), nas operações de fiscalização ambiental na Amazônia (quase 148%), e nas ocorrências registradas (de 932 para 1.754). As apreensões de minérios (170%) e de madeira (65%) também apresentaram aumentos relevantes.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, ressaltou o papel do monitoramento científico. “Toda a nossa cadeia de infraestrutura tecnológica nos dá a precisão necessária para subsidiar as políticas públicas de forma assertiva, provando que não há preservação sem investimento em conhecimento”, disse.

Com informações da Agência Brasil