ONG critica absolvição de PMs e afirma que julgamento transformou vítima em réu

A Anistia Internacional criticou veementemente o julgamento que absolveu policiais militares envolvidos na morte de Thiago Menezes, de 13 anos, no Rio de Janeiro. Segundo a organização, o caso, onde o adolescente foi atingido por disparos de fuzil enquanto estava na garupa de uma moto, expõe uma realidade de violência policial desproporcional contra jovens negros no Brasil. A ONG considera que a decisão judicial transformou a vítima em réu, perpetuando um ciclo de impunidade.

Jovem negro, sem antecedentes, é vítima de violência policial

Thiago Menezes, que sonhava em ser jogador de futebol e possuía excelente frequência escolar, foi atingido pelas costas enquanto se deslocava com um amigo, Marcos Vinicius de Sousa Queiroz, que sobreviveu com um tiro na mão. Segundo o relato de Marcos, ambos não estavam armados e não tinham envolvimento com o tráfico de drogas. Os policiais envolvidos, segundo testemunhas, estavam em um carro descaracterizado e efetuaram os disparos sem aviso.

Defensores apontam racismo e manipulação no julgamento

A tia de Thiago, Ana Cláudia Oliveira, expressou profunda decepção com a decisão do júri, apontando racismo estrutural no judiciário. “Mais uma vez saímos com certeza de que a Justiça não é feita para a gente”, declarou. Ela ressaltou que o julgamento não foi dos policiais, mas sim de Thiago, que foi “julgado e executado lá, e aqui, novamente, ele foi julgado e condenado”.

Guilherme Pimental Braga, coordenador da Rede de Atenção a Pessoas Afetadas pela Violência de Estado (Raave), avaliou que a defesa dos policiais utilizou táticas de difamação e criminalização contra os adolescentes, inclusive com o uso de “fake news” e influenciadores digitais para descredibilizar a vítima. A ativista Mônica Cunha, do Movimento Moleque, também questionou o sistema que, segundo ela, “condena a vítima e deixa na rua agentes assassinos para cometer novos crimes”, citando o caso da menina Ágatha Félix como outro exemplo de absolvição de policiais em casos de morte de crianças.

Polícia alega legítima defesa em meio a controvérsias

Durante o julgamento, que durou dois dias, os policiais admitiram ter disparado contra os jovens após uma suposta reação deles. No entanto, essa versão é contestada pela acusação. Os policiais também respondem a um processo por fraude processual.

Com informações da Agência Brasil