Dólar salta para R$ 5,26 com escalada no Oriente Médio; Ibovespa recua 3%

Em um dia marcado pela tensão internacional, o dólar comercial disparou quase 2%, alcançando R$ 5,261, impulsionado pelo agravamento do conflito no Oriente Médio. A bolsa brasileira não escapou do pessimismo e o índice Ibovespa registrou sua maior queda do ano, recuando 3,27%.

Tensão no Oriente Médio e fuga para ativos seguros

A escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, com reflexos em países como Líbano e nações do Golfo, gerou incerteza global. O anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz, rota vital para 20% do petróleo mundial, e a suspensão da produção de gás natural liquefeito no Catar aumentaram os temores de desabastecimento energético.

Como consequência, os preços do petróleo Brent subiram mais de 4%, e o gás natural na Europa avançou 22%, elevando as preocupações com a inflação global e a desaceleração econômica. Investidores buscaram refúgio em ativos considerados mais seguros, como o dólar, enquanto bolsas ao redor do mundo também apresentaram quedas.

Mercado brasileiro reage à instabilidade

O Ibovespa fechou o pregão a 183.104 pontos, o menor patamar desde 6 de fevereiro. Quase todas as ações do índice registraram perdas, refletindo o mau humor generalizado no mercado financeiro.

Em meio à volatilidade, o Banco Central chegou a anunciar dois leilões de linha de US$ 2 bilhões cada, mas cancelou as operações minutos depois, alegando que a divulgação ocorreu por engano, como parte de um teste interno.

PIB brasileiro e perspectivas econômicas

No cenário doméstico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,3% em 2025. Contudo, a economia perdeu ritmo no final do ano, com alta de apenas 0,1% no quarto trimestre, desacelerando em relação aos 3,4% de 2024.

A desaceleração econômica, somada à instabilidade internacional, pode levar o Banco Central a reduzir a Taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual na próxima reunião, diferentemente da expectativa anterior de 0,5 ponto. Juros altos tendem a segurar o dólar, mas podem prejudicar o crescimento econômico.

Com informações da Agência Brasil