
Alerta de saúde pública
No Brasil, a obesidade e o sobrepeso atingem uma parcela significativa da população jovem. Atualmente, estima-se que 6,6 milhões de crianças entre 5 e 9 anos estejam nessa condição. O número ascende para 9,9 milhões quando consideradas crianças e adolescentes de 10 a 19 anos, totalizando 16,5 milhões de jovens entre 5 e 19 anos vivendo com sobrepeso ou obesidade no país.
Doenças associadas e projeções futuras
As consequências do excesso de peso já se manifestam em doenças graves. Em 2025, quase 1,4 milhão de jovens foram diagnosticados com hipertensão ligada ao Índice de Massa Corporal (IMC). Outras condições incluem 572 mil casos de hiperglicemia, 1,8 milhão de triglicerídeos elevados e 4 milhões de doença hepática esteatótica metabólica (acúmulo de gordura no fígado), todas atribuídas ao IMC.
As projeções para 2040 são ainda mais preocupantes. Espera-se um aumento para mais de 1,6 milhão de casos de hipertensão, 635 mil de hiperglicemia e 2,1 milhões de triglicerídeos elevados associados ao IMC. A doença hepática esteatótica metabólica também deve crescer, atingindo 4,6 milhões de jovens.
Análise de especialistas
Bruno Halpern, vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), descreve o cenário como um “crescimento assustador” globalmente, com destaque para países de renda média e baixa. Ele aponta a dieta baseada em alimentos ultraprocessados, pouco nutritivos e baratos como um dos principais fatores.
“O Brasil não é exceção. Há dois anos, a gente já sabia que, em dez anos, metade das crianças e adolescentes no Brasil teria sobrepeso ou obesidade. Os dados estão se confirmando. Os índices estão crescendo, são alarmantes”, afirmou Halpern, que também é membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e presidente eleito da Federação Mundial de Obesidade para o biênio 2027-2028.
Um problema socioeconômico
O especialista ressalta que a obesidade deve ser vista como um problema coletivo e socioeconômico, não apenas individual. “Temos que sair da ideia de que a obesidade é um problema individual e entender que, hoje, é também um problema socioeconômico”, defendeu.
As soluções propostas incluem estratégias de taxação sobre ultraprocessados e refrigerantes, redução da publicidade infantil e foco na obesidade materna, vista como um fator preventivo crucial para a saúde futura das crianças.
Com informações da Agência Brasil







